Um código fonte vale o que um comprador ou licenciado pagaria para usar ou ter aquele código. A conta começa pelo custo de refazer: quantas horas uma equipe levaria para escrever o mesmo sistema, vezes o custo dessa hora.
Depois vêm os ajustes: qualidade, testes, documentação, receita que o código já gera, quantos compradores existem e se você consegue provar que o código é seu. As faixas abaixo dão uma primeira referência, em dólares, porque compradores de fora precificam assim.
| O que você tem | Faixa, USD |
|---|---|
| Repositório pequeno, até 10 mil linhas | 200 - 1.500 |
| Produto médio, 10 a 100 mil linhas | 1.500 - 15.000 |
| Produto grande, com histórico e testes | 15.000 - 100.000 |
Referência para uma licença não exclusiva. O código continua seu. Verificado em 12 de outubro de 2026.
São faixas amplas de propósito. Dentro de cada uma, o número final depende dos fatores abaixo.
O que aumenta o valor de um código fonte?
- Roda do zero. Um README que leva alguém de
git cloneaté o sistema funcionando em uma hora vale dinheiro. - Testes. Cobertura razoável e testes que passam reduzem o risco do comprador.
- Histórico. Anos de commits com mensagens decentes, code review e issues contam como o código evoluiu e por quê.
- Uso real. Código que roda em produção, com usuários, vale mais do que protótipo.
- Receita. Se o sistema já gera receita de licença ou assinatura, o valor passa a ser calculado sobre essa receita.
- Nicho com poucos concorrentes. Um motor de cálculo tributário, uma integração difícil com um sistema legado, um módulo regulatório.
- Titularidade limpa. Contratos de trabalho, cessões de PJ e termos dos sócios em ordem. Veja quem é dono do código fonte.
O que derruba o valor?
- Copyleft no núcleo. GPL ou AGPL no coração do produto afasta compradores que querem licenciar como proprietário. Veja licença MIT e GPL no seu repositório.
- Titularidade incerta. PJ sem cessão, projeto de cliente sem cláusula clara. O comprador desconta o risco ou desiste.
- Dependência de uma pessoa. Se só um dev entende o sistema e ele saiu, o comprador vai precificar o tempo para entender.
- Stack abandonada. Framework sem suporte, versões antigas sem atualização de segurança.
- Dados de cliente misturados. Credenciais, dumps de banco e regras de negócio de cliente dentro do repositório viram trabalho de limpeza e risco jurídico.
Como fazer uma estimativa rápida
Exemplo hipotético, com números redondos.
- Custo de refazer. Imagine que uma equipe de quatro pessoas levaria oito meses. São 4 × 8 = 32 meses de pessoa. Multiplique pelo custo mensal de uma pessoa na sua software house e você tem o custo de reconstruir.
- Desconto por risco. O comprador não paga 100% do custo de refazer, porque vai gastar tempo para entender o código e assume riscos. Um desconto relevante é normal.
- Prêmio por uso e receita. Se o sistema já tem clientes pagando, a referência passa a ser múltiplo dessa receita.
- Formato. Licença não exclusiva sai mais barata por comprador e pode ser repetida. Cessão total sai mais cara e acontece uma vez.
O resultado é uma faixa para negociar. Confira se ela cabe nas faixas de referência acima.
Licenciar, vender ou deixar parado?
Código parado no GitHub perde valor com o tempo:
- a stack envelhece;
- quem conhecia sai da empresa;
- as dependências acumulam vulnerabilidades.
Se o código é seu e tem uso, licenciar agora costuma render mais do que esperar. Os caminhos estão em licença de software e vender código fonte.
Uma avaliação externa ajuda a sair da faixa para um número. Ela olha o repositório com os critérios acima e diz quanto o mercado pagaria.